sábado, 18 de julho de 2009

Note

Há por aí um grande falatório que me desgasta os nervos e que me fez decidir expôr publicamente a minha opinião sobre o assunto: ter sensibilidade não significa necessariamente ter tendências homossexuais. Eu sei que são raros os homens heterossexuais que lêem livros e vêem filmes com um lado mais sensível, feminino se preferirem, ou telenovelas ou músicas de mulheres como Madonna. Mas que os há, há. E não quer dizer que sejam efeminados, são apenas mais abrangentes nas suas escolhas artísticas.

Se há coisa que me tira do sério são os ares enviosados nos transportes públicos quando me ponho a ler livros, de todo, ou quando leio livros de cariz sensível, estilo Norah Roberts. Eu gosto de ler e leio de tudo um pouco, independentemente do que isso me faz parecer. Da mesma forma que, confesso, vejo telenovelas.

Não vejo problema algum e penso que isso não põe em causa as minhas tendências sexuais - bem conservadoras, devo acrescentar.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A vida segue lá fora

Olho pela janela e penso seriamente em vender a alma a algum demónio ou ao diabo quem sabe, por umas horinhas vagas. Para pôr leituras e amigos em dia, para ver filmes rodeado de pipocas, para ir àquelas lojas cheias de livros, cd's e dvd's e outras coisas e estourar o cartão multibanco; para ver a lua, para dividir meias de leite, para pensar que posso ficar acordado até mais tarde e aproveitar a noite sem pensar que se calhar devia era ir dormir.

O pior de tudo é esta ausência de mim próprio que me afasta daqueles de quem gosto (tanto). Sinto falta de conversas lunáticas, de rir despreocupadamente, de fazer coisas espontâneas. Se por um lado penso que isto é importante profissionalmente falando, por outro penso que estou a perder coisas importantes e que um dia me vou arrepender seriamente de não ter prestado mais atenção a outros aspectos. Sou um pouco paranóico nestas coisas e tenho um medo tremendo de estar demasiado focado em coisas que não deveriam ser tão prioritárias. E tenho medo de acabar por ficar sozinho e tornar-me num velho solteirão e rezingão.

E agora... mais trabalho me espera.

domingo, 12 de abril de 2009

You really gotta hold on me



I don't like you, but I love you
Seems that I'm always thinkin' of you
Oh, you treat me badly
I love you madly
You really gotta hold on me
(You really gotta hold on me)
You really gotta hold on me
(You really gotta hold on me)

I don't want you, but I need you
Don't wanna kiss you, but I need to
Oh, you do me wrong now
My love is strong now
You really gotta hold on me
(You really gotta hold on me)
You really gotta hold on me
(You really gotta hold on me)

I love you and all I want you to do is just
hold me
hold me
hold me
hold me...

I wanna leave you, don't wanna stay here
I don't wanna spend another day here
Oh, you do me wrong now
My love is strong now
You really gotta hold on me
(You really gotta hold on me)
I said you really gotta hold on me
(You really gotta hold)

I love you and all I want you to do is just
hold me
hold me
hold me
hold me...

Hold me...

A tradução (muito livre) das partes mais significativas da música seria qualquer coisa como: Eu não gosto de ti, mas amo-te/Parece que estou sempre a pensar em ti/ Oh, tratas-me mal/Eu amo-te loucamente (...) Eu não te quero/mas preciso de ti...

A interpretação (nada livre) serias tu e eu. Ou melhor eu acerca de ti. É preciso dizer mais? Por que te afastas assim, quando eu me aproximo? Por que pareces tão próxima quando estou junto de ti e depois tão distante, quando nos despedimos? O que muda nesse espaço de tempo em que os meus olhos te vêem cada vez mais longe e depois o coração estrebucha de saudade e o espírito se arrepia por sentir a tua falta e o sono falta-me e, quando finalmente vem, é atormentado por pesadelos? O que muda, o que acontece quando nos separamos no espaço e no tempo?

I really gotta hold on you. Se isso fosse suficiente, coseria a minha pele à tua roupa e não mais te deixaria. Mas é pena, porque não chega. E o pior é que... you really are something special. E é por isso que dói.

terça-feira, 17 de março de 2009

Retorno

Para o regresso ao mundo cibernáutico ficar completo, já só faltava um post. Ando ocupado com coisas, daquelas que nos tiram o sono e nos fazem viver em constante stress. E de repente, um convite dissimulado faz-nos abandonar tudo e seguir para um mundo encantado, de realidades paralelas, de sonhos partilhados, de conversas sem sentido, de bebidas quentes oferecidas na noite quente. Tem sido sempre assim: encontros a horas impróprias, conversas impróprias, gestos impróprios, sempre acompanhados de meias de leite. Aquele ritual.

Por vezes precisamos de alguém que nos puxe para fora da realidade, para a surrealidade da imaginação. Alguém que nos conte estórias como só ela sabe, alguém que nos embale na sua voz adocicada com travo a caramelo, alguém que nos faça rir até da tristeza, alguém que se ria por tudo e por nada (mesmo quando parece soterrada de problemas e dúvidas existenciais) alguém lunático e indeciso, alguém que tenha todas as características de uma criatura imaginária. Porque é por tudo isso que o caos existe: para ser dissolvido em conversas ligeiras, como um snack mental, um coffee break da alma.

Sabe bem desabafar e proferir impropérios e resmungar contra o mundo e mostrar o dedo do meio e sermos nós próprios, nem que seja de vez em quando. Há vezes que valem por muitas.

Tenho-me deixado levar por uma maré de trabalho, de incompreensões, de desânimos, de meias de leite a quem não merece, de memórias esgotantes, de afectos desapegados. Com o peso do mundo nas costas. E afinal, é tudo tão simples de resolver. Vou fugir. Assim sem mais nem menos. Sem avisar ninguém, sem telemóvel, sem expectativas, sem companhia. Talvez já amanhã.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Escrever

Quando queremos escrever, mas não temos assunto, refugiamo-nos em rotinas. Banalidades. Casualidades. Intimidades. Lixo televisivo. Devaneios. O tempo, o eterno refúgio (se bem que na escrita não tem tanto impacto como numa conversa).

Admiro quem escreve por gosto e não se cansa. Quem consegue passar um dia de trabalho debruçado sobre palavras. Admiro quem quer passar um dia inteiro a lidar com elas. Moldando-as, transformando-as, criando histórias. Quem consegue fazê-las passar pelo buraco da fechadura que é o bloqueio. Gostava que as palavras me amassem tanto como eu as amo. De verdade. Mas é fácil amar o que não tem defeitos, certo?

Sou uma crónica

Seguindo o exemplo de alguém que conheço e cujo resultado corresponde à realidade de uma forma tão literal que teríamos de inventar um novo nome para realidade para descrevê-lo, fiz o teste de espírito leve. E depois sai-se-me este resultado.




You're The Lion, the Witch and the Wardrobe!

by C.S. Lewis

You were just looking for some decent clothes when everything changed
quite dramatically. For the better or for the worse, it is still hard to tell. Now it
seems like winter will never end and you feel cursed. Soon there will be an epic
struggle between two forces in your life and you are very concerned about a betrayal
that could turn the balance. If this makes it sound like you're re-enacting Christian
theological events, that may or may not be coincidence. When in doubt, put your trust
in zoo animals.



Take the Book Quiz
at the Blue Pyramid.



Tenho de aprender a confiar mais em animais. Está visto. E ter mais cuidado a escolher roupa.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ponto final

Às vezes, o melhor é não olhar para trás nem para baixo. O melhor é olhar em frente, para o que ainda há-de vir. Mesmo que não venha, quando estivermos à frente, não vamos estar a olhar para trás, para o que não veio. Wise words de uma amiga. Pode ser que citando o que disseste lhe dês mais importância. Vá lá, isto é só uma fase menos boa. Olha para a frente. De certeza que só virão coisas boas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

...

O tormento das palavras que não saem. Ficam engasgadas na garganta, na ponta dos dedos, às vezes debaixo da língua. Sufocam. Martirizam. Quisera eu ser escritor - como se isso resolvesse o problema, na verdade só piora - ou simples poeta. Pena as palavras serem as minhas piores inimigas (ainda não aprendi a gostar delas). Por enquanto, deixo-me levar pelos silêncios. Deles gosto. Não ferem os ouvidos, não atormentam os olhos, são leves ao tacto. Vou-me deixar afundar na ausência de palavras. O monólogo do silêncio...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

My coffee latte nights

Consigo sentir o sabor da tarte, o doce da massa e o ligeiramente ácido dos mirtilos, o morno da cozedura e o frio do gelado de baunilha, tudo num só toque de lábios. Imagino as nossas mãos dadas em cima da mesa, o teu toque quente na pele ferida pelo vento, olhos fixos nos meus. Ao longe uma melodia de voz grave, como um mar que nos afoga pouco a pouco.



Obrigado a esta amiga, por me ter obrigado a ver este filme. Trouxe-me memórias e expectativas, tudo numa só vaga. Não é que tenha gostado muito do enredo, mas dei por mim a não dar por mim. E na melhor das companhias.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Memórias

Há tantas coisas que me passam pela memória! Momentos, essencialmente, e alguns versos que decorei sem querer, músicas, sorrisos e aromas. Tudo isso fica guardado, mas muitas vezes me pergunto para onde vão esses pedaços de mim e das minhas vivências quando eu deixar de existir.

Mas estas coisas metafísicas e algo filosóficas deixam-me consternado, afogam-me em dúvidas e silogismos sem fim e acabo por questionar: não será a memória um grande desperdício?

Disseste-me que não, que recordar é (re)viver. Eu concordei, mas não deixei de indagar: de que serve a memória se a nossa mente não existir? São questões que só me passam pela cabeça de vez em quando, especialmente quando tudo está tranquilo - é na tranquilidade que surgem as perguntas que me colocam no estado de espírito de sempre (inquietude).

Não quero recordar pedaços de memória que doem. Acima de tudo, não quero recordar as agulhas que foram espetadas no coração. De resto, não me importo de me lembrar de tudo aquilo que ainda hoje me faz sorrir. Seria tudo muito mais fácil se a memória tivesse um botão de 'on' e 'off', disse alguém com quem partilho luares frequentemente. É verdade. Mas nada que valha a pena é fácil, disse outro alguém. E aqui me divido entre dois pontos de vista que não fazem mais do que perturbar esta mente já de si atribulada.

Se há coisa que quero recordar, são as estórias, aquelas pequenas estórias com que se constroem as vidas e que nos transformam constantemente em quem nós somos.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Artigo primeiro (em jeito de começo atribulado)

Às vezes penso que estou obcecado. Muitas vezes tenho a certeza.

Deixamo-nos embalar pelas horas que passam sem nos darmos conta, envolvemo-nos em atmosferas que criamos com as palavras que nos saem sem que as consigamos controlar, brincamos com argumentos e saboreamos os sonhos, aqueles que nos tomam conta da mente quando estamos distraídos. Ficamos doloridos de nós próprios, mas sedentos das palavras do outro - o paradoxo que nos define? - como se não nos falássemos há anos e anos - será isto normal?

A tua presença carrega uma certa leveza - não aquela que é insustentável ao ser, longe disso! - e não consigo deixar de me embrulhar na tua aura, nas tuas gargalhadas tão fáceis de despertar do teu diafragma de bailarina, nos sonhos que partilhas comigo.

Em jeito de começo, algo atribulado, me rendo às palavras que me faltam e assim termino o artigo, o primeiro. De muitos. Na tua companhia. Doce musa.