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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Rambling

Tenho para mim que não fui feito para escrever. Qualquer coincidência com a realidade é pura semelhança.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Das escritas

Hoje obriguei-me a escrever. Porque sim. Não se trata de escrever por escrever, mas escrever para manter um hábito. É que me parece que há muito poucas actividades, hoje em dia, que exijam o uso da massa cinzenta e tenho um certo receio de que ela mingue tipo os músculos dos abdominais que não faço há anos.

domingo, 16 de agosto de 2009

Devaneios I

Carrego comigo esta certeza de que o sono é algo de inútil, senão mesmo muito inútil. Claro que compreendo os benefícios indispensáveis daquelas oito horas de olhos fechados - nem sempre - e percebo que sem dormir morremos.

No entanto, faz-me confusão que passemos um terço da nossa vida a fazê-lo. Demasiado tempo perdido, sem ler este ou aquele livro, sem ver um filme, sem dar um passeio nocturno - isto para quem dorme de noite - ou estar com aquela pessoa importante.

Se pudesse não inventaria a cura para a Sida ou, num plano mais metafísico, não criaria a poção da juventude eterna, mas um elixir que nos permitisse não necessitar de dormir. Isso sim, seria uma descoberta magnífica.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

just my luck?

Há aquelas alturas na vida em que tudo corre bem ou melhor do que até aí - o que não quer dizer que tudo seja perfeito, mas que tudo nos parece perfeito porque nunca tínhamos experimentado tal -, o que nos faz sair de casa a assobiar e encarar a rotina com outro fôlego. São aquelas alturas em que os planos parecem todos exequíveis, as amizades inabaláveis, os amores inquebráveis.

Não estou a escrever sobre isto por estar numa dessas fases, mas porque tenho receio delas. Tudo no mundo vem aos pares e isso inclui a sorte e o azar. O problema é a distância que os separa não ser suficiente para que tudo corra bem e, por isso mesmo, sempre que a vida me sorri eu desconfio e olho à volta, como se temesse estar a ser perseguido - e é precisamente isso: temo estar a ser perseguido pelo azar.

Não percebo se é por estarmos demasiado enredados na nossa sorte que os azares parecem bem maiores depois de uma boa fase ou se é mesmo porque nada nos é fornecido de graça e por cada coisa boa que nos acontece, temos de pagar o dobro ou o triplo a alguma entidade divina.

Ocorreu-me isto hoje, enquanto pensava que prefiro estar assim como estou, numa fase contrabalançada em que as sortes que me calham não são espectaculares e os azares não são desastrosos. Viva o mediano!

terça-feira, 12 de maio de 2009

A vida segue lá fora

Olho pela janela e penso seriamente em vender a alma a algum demónio ou ao diabo quem sabe, por umas horinhas vagas. Para pôr leituras e amigos em dia, para ver filmes rodeado de pipocas, para ir àquelas lojas cheias de livros, cd's e dvd's e outras coisas e estourar o cartão multibanco; para ver a lua, para dividir meias de leite, para pensar que posso ficar acordado até mais tarde e aproveitar a noite sem pensar que se calhar devia era ir dormir.

O pior de tudo é esta ausência de mim próprio que me afasta daqueles de quem gosto (tanto). Sinto falta de conversas lunáticas, de rir despreocupadamente, de fazer coisas espontâneas. Se por um lado penso que isto é importante profissionalmente falando, por outro penso que estou a perder coisas importantes e que um dia me vou arrepender seriamente de não ter prestado mais atenção a outros aspectos. Sou um pouco paranóico nestas coisas e tenho um medo tremendo de estar demasiado focado em coisas que não deveriam ser tão prioritárias. E tenho medo de acabar por ficar sozinho e tornar-me num velho solteirão e rezingão.

E agora... mais trabalho me espera.