Há aquelas alturas na vida em que tudo corre bem ou melhor do que até aí - o que não quer dizer que tudo seja perfeito, mas que tudo nos parece perfeito porque nunca tínhamos experimentado tal -, o que nos faz sair de casa a assobiar e encarar a rotina com outro fôlego. São aquelas alturas em que os planos parecem todos exequíveis, as amizades inabaláveis, os amores inquebráveis.
Não estou a escrever sobre isto por estar numa dessas fases, mas porque tenho receio delas. Tudo no mundo vem aos pares e isso inclui a sorte e o azar. O problema é a distância que os separa não ser suficiente para que tudo corra bem e, por isso mesmo, sempre que a vida me sorri eu desconfio e olho à volta, como se temesse estar a ser perseguido - e é precisamente isso: temo estar a ser perseguido pelo azar.
Não percebo se é por estarmos demasiado enredados na nossa sorte que os azares parecem bem maiores depois de uma boa fase ou se é mesmo porque nada nos é fornecido de graça e por cada coisa boa que nos acontece, temos de pagar o dobro ou o triplo a alguma entidade divina.
Ocorreu-me isto hoje, enquanto pensava que prefiro estar assim como estou, numa fase contrabalançada em que as sortes que me calham não são espectaculares e os azares não são desastrosos. Viva o mediano!
Não estou a escrever sobre isto por estar numa dessas fases, mas porque tenho receio delas. Tudo no mundo vem aos pares e isso inclui a sorte e o azar. O problema é a distância que os separa não ser suficiente para que tudo corra bem e, por isso mesmo, sempre que a vida me sorri eu desconfio e olho à volta, como se temesse estar a ser perseguido - e é precisamente isso: temo estar a ser perseguido pelo azar.
Não percebo se é por estarmos demasiado enredados na nossa sorte que os azares parecem bem maiores depois de uma boa fase ou se é mesmo porque nada nos é fornecido de graça e por cada coisa boa que nos acontece, temos de pagar o dobro ou o triplo a alguma entidade divina.
Ocorreu-me isto hoje, enquanto pensava que prefiro estar assim como estou, numa fase contrabalançada em que as sortes que me calham não são espectaculares e os azares não são desastrosos. Viva o mediano!